Alt + F4 antes de ler.

Nossa, como eu resmunguei e falei besteiras no outro post! E nem foi sobre o dia inteiro. Teve muito mais turbulência durante o resto. Eu bem que queria mudar de assunto, deve estar ficando chato ler a mesma coisa de novo e de novo e mais outra vez, mas é aquele tipo de coisa que, se a gente não escrever, fica a ponto de explodir. E, sinceramente? Não estou afim de explodir hoje, mesmo que o mundo esteja implorando por isso. Não, ao invés, vou só escrever mesmo. Então, não se empolguem por que por aqui só vai encontrar mais resmungos e besteiras.

Não sei porque, eu pensava que, assim que acabasse a aula, ia ficar tudo bem. Quem me dera. Primeiro, o "almoço" delicioso da cantina do colégio. Se é que dá para chamar aquilo de almoço.
E então, lá está ela, chorando. Não é algo que eu suporte quieta, o choro. Mas o dela? Não tinha idéia do que era e o coração já estava do tamanhinho de uma cereja. E ela ainda saiu correndo.
"Sai daqui, sai de perto de mim, me deixa". Não precisei chegar perto para escutar. Mas fui, o orgulho ferido, e mesmo assim eu fui. Era impulso. Nem tinha como não ir, como não querer chorar com ela mesmo sem saber o motivo. Xingamentos, gritos, ofensas e eu fui.
"Eu quero o I., sai daqui".
O orgulho já não existia, foi a vez do valor próprio ir embora. E, no lugar, aquele imenso sentimento de fracasso, invalidez. "Tá certo".
Me levantei como se quisesse.
- I. vai lá. Ajuda ela. Não quero nem saber o que é, se ela não quer me falar, mas vai lá.
Pronto, agora minha insignificância era pública. Foi preciso um tempo para engolir. Eu não sabia o que era, mas, definitivamente, tinha algo entalado na garganta.
Prova.
Um chute no calcanhar: "olha tua bolsa".
Eu olhei. "Bjs, desculpa. Ñ me liga!". Nem podia, estava sem ter o que dizer.
Conciso. Como uma facada no peito. E então veio tudo à tona. Tudo aquilo que passo o dia tentando esconder de mim mesma. Não por ela. Ou melhor, não só por ela.
Por mim.
E toda aquela sede de vida, de onde eu tinha tirado mesmo? Era um caminho longo para casa. Um caminho conhecido e, mesmo assim, eu me sentia deslocada. A cada passo, mais distante eu parecia estar. Até por que, não tinha noção de para onde ia. Mas o sinal estava aberto.
Não era meu caminho, mas o sinal estava aberto, então atravessei.
Entrei, por curiosidade. Não tinha muita gente, mas podia ouvir os sussuros. A bolsa pesava nos ombros, aquela blusa azul que esquentava ainda mais.
Sentei. O que eu deveria fazer? O que tinha que estar sentindo?
"Paz", me disseram muito tempo atrás. "A casa Dele". Será que Ele tinha saído para um passeio? Tudo bem, tudo bem, eu confesso: era uma fé meio envenenada pelo ceticismo.
E mesmo assim lá estava eu, sentada.
Deixei minha mente vagar livremente. Não deu certo, claro. Tem sempre muita besteira dentro dela. Então eu me vi. Me dei conta.
Lá estava eu, uma aluna pré-vestibulanda, sentada num banco, chorando. Doeu enxergar isso.
Me levantei e fui para casa.
Ela quis vir falar comigo, por MSN, queria me fazer acreditar em alguma coisa qualquer. Não dá. Por mais que eu quisesse, e eu queria muito, não dava.
Eu a conheço. Não vi sinceridade, mas peso na consciência, e é muito diferente.
Que direito tem ela?
De entrar na minha vida, de me fazer dependente de sua voz e, do nada, virar as costas, dizer aquele terrível "não é nada" e mandar eu não me preocupar.
Fui ler, para fingir, só por alguns (maravilhosos) momentos que não era eu. Nunca me senti tão segura. Era uma história sobre monstros da mitologia grega perseguindo heróis. E eu me sentia segura. Presa ali entre as linhas.
Então a mamãe chegou e me trouxe para a realidade, como quem tira band-aid.
Vou lá, viver minha vida.

Comentários

Só pra saber, você estava lendo o Percy? Eu e o Samuel estamos. Já chegamos ao fim do terceiro livro...
Ai, que burrice...se eu tivesse lido primeiro a barra lateral já saberia a resposta (ai, ai, vergonha)

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