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Mostrando postagens de Julho, 2015

ponto e vírgula;

Uma vez, na faculdade, tinha uma professora que não escrevia com letras maiúsculas. Ela dizia que leu num texto algo sobre ser uma pessoa de letra minúscula. Se ela pode ser uma pessoa de letra minúscula, eu acho que eu posso ser alguém de ponto e vírgula. É, por que, veja bem; Ponto e vírgula é como uma mágica da ortografia portuguesa; Quando você acha que o escritor já não tem mais o que falar dessa situação; pam, ponto e vírgula! E ele ainda acha alguma maneira de continuar. Eu quero continuar. Não me levem a mal as comunidades de pessoas ponto final. Nada contra. Mas eu quero continuar. Ontem, vi no facebook a notícia de alguém que tinha se suicidado. Acabado com a própria vida. Quem faz isso? Você pode ser perguntar. Ela não vai mais escrever nada; isso você pode ter certeza. E eu? Eu quero continuar; continuar a escrever. continuar a viver. Ponto final para mim não basta. Agora só vou escrever com ponto e vírgula;

Meu coração

Meu coração grita por ti. Eu choro lágrimas de anseio. Eu que te deixei ir. Eu que parti para nunca mais voltar. Não deveria sofrer por escolhas minhas. Mas sofro. Choro. Desespero. As palavras vão saindo numa torrente de emoção e de tristeza que eu nunca senti antes. O que aconteceu com a gente? Meu coração está em frangalhos. Como pode ser? Eu te dei tudo que tinha. Tudo que não tinha. E você tomou com suas mãos cálidas e disse que "tudo bem", que estava tudo "sob controle". Meu coração sofre de medo. Como um coração como o meu, pôde amar? Como um coração como o seu, pôde abandonar? Eu assisto filmes, eu escuto músicas, eu leio livros. Mas tudo só me faz pensar em você. Como você tomou controle de mim? Não deveria me deixar? Então vai, não volta atrás. Meu coração está cego. Cego de medo, cego de desejo. Não volte. Nunca pense em voltar. Você não pertence a essa vida de agora. Você é passado. Você abriu meus olhos. Agora eu vejo. Não fomos feitos um para o outro. Fomos feitos …

Eu queria...

Ok, então é isso. A gente nasce, vive uma vida medíocre e morre.  É assim que vai ser? E as aventuras que me prometeram lá em cima, antes de eu vir? Quero ter um dia bom. Um dia que eu me lembre para sempre, aquele dia, "o maior dia" da minha vida. Queria viver sem ter tanto medo. Sem ter anseios. Só viver mesmo. Como posso achar sossego? Como posso dormir em paz? Quando vou cruzar os braços e dormir de verdade, sem medos, sem pesadelos? Quero viver. Quero vir, quero ver. Tenho aqui mil razões para não viver. Mas quero continuar. Eu acho... Será que consigo deixar tudo para trás? Será que consigo continuar vivendo assim, sem sentimentos? Sem emoções? Eu daria tudo para ver o mundo. Conhecer pessoas. Fotografar olhares. Sentir novos cheiros, novos sabores, novas línguas, um novo mundo. Uma nova vida. Mas tudo que eu posso ver por enquanto é a tela do computador, enchendo-se de letrinhas, enquanto teclo rapidamente. Vai ter que ser o suficiente.

Dia da avó

Hoje é dia da avó. Eu não poderia estar mais bem arranjada com minhas avós! Elas são demais. Uma é do interior do Ceará, outra do interior da Calabria, na Itália. Duas interioranas. As duas tem quase nada em comum. Uma é toda pra frente e não gosta de ser chamada de velha, outra é baixinha e tem vergonha de suas capacidades. Mas o que elas têm em comum é especial. As duas gostam de falar! E como falam! Falam de amor, com carinho, de como a vida é bela. (Além das várias doenças que elas têm, elas gostam de falar disso também). As duas me têm como neta. E eu amo-as. As duas! Hoje é dia da avó. Não poderia estar mais feliz com as avós que tenho. As duas me entendem, me dão colo quando preciso e fazem comidinhas gostosas para mim. São duas pessoas espetacularmente especiais para mim. Amo minhas avós. E nesse dia só tenho isso a dizer: obrigada por existirem!

The only one.

Você é único.
Mesmo assim nada parece ser suficiente.
De repente, eu não sou mais suficiente.
Para falar a verdade,
acho que nunca fui.
Quando se sabe o quanto vai ser suficiente?
O quanto de amor,
o quanto de raiva.
Quanto precisa para a gente sair da vida de alguém?
É como o vento que passa silenciosamente pela janela.
Ele não se percebe passando, mas passa.
Com o tempo é assim também.
Acho que estou errada.
Estou sempre errada.
Mas as desculpas não passam de farrapos presos em meus dentes.
O pior é aquela voz na minha cabeça.
Sempre a mesma voz.
Será que é ele?
Eu não aguentaria se fosse.
Mas o amor e o ódio andam de mãos dadas dentro de mim.
Às vezes um fala mais alto que o outro.
Às vezes ouço gritos. Vejo estilhaços.
Eles me cortam com força.
Eu me deito e penso.
É só o que eu posso.
Fazer não está mais no meu alcance.
Como você não percebe?
Quando deixei de ser suficiente?
Foi quando cresci?
Foi quando aprendi a fazer tudo que me mandam?
Foi quando morri por dentro?

I see fire.

Eu vejo fogo. Aonde quer que eu vá. O fogo está lá, a queimar as pessoas ao seu redor. É engraçado como o fogo combina tanto comigo. Como está lá em cada momento da minha vida. O medo de me queimar, o medo de ele apagar e me deixar no escuro para sempre. Talvez eu seja um dos três homens na caverna, olhando para as sombras. Mas e se o fogo apagar e eu tiver que me virar? Para a vida real, para as dores reais. Eu não quero perder o meu fogo. O que faço para prevenir ele de se apagar para sempre? A gente luta lutas impossíveis. É normal. É o fogo falando dentro da gente. É o que muitos chamam de coragem. Mas o meu fogo pode me queimar. Deixar marcas que não somem nunca. Tem que se ter cuidado quando falamos sobre fogo. Cuidado para manuseá-lo. Cuidado comigo garotos, por que eu vejo fogo.