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Carry On

Estou lendo um livro engraçado. É muuuuito parecido com Harry Potter. Mas como eu gostei de HP, tô lendo! Vamos dar uma chance, eu gosto da autora e coisa e tal. A história envolve dois garotos. Um bruxo e um vampiro. Um gosta do outro. De formas peculiares, cada um. Mas gostam e é isso que importa aqui. Estava tentando entender o sentido da história. A moral da fábula. E descobri que não tem. É, não tem. A moral é que não tem moral. Que isso devia ser normal. A sexualidade deveria ser uma coisa normal. Discutível, sim. Errada, não. Tudo a gente pode questionar, beleza. Tem filósofos que questionam a própria realidade, o universo, a vida. Beleza de novo. A gente pode se auto questionar. Pode perguntar-se se o que estamos sentindo é real, é válido e coisa e tal. Mas odiar algo, negar algo, só por que é diferente do "normal", é errado! Gente, que século é esse em que vivemos! Já evoluímos tanto! Poderíamos muito bem ser seres humanos melhores. Mas aí estamos apontando o dedo para os o…

Será que foi tempo perdido?

Eu nunca soube contar muito bem o tempo. Ele sempre foi meio distorcido para mim. Para todo mundo eu acho. Nunca me apeguei muito no relógio. Eu durmo cedo. Mas a noite e a manhã correm mesmo é dentro da minha cabeça. Acordo tarde. Gosto de dormir. Mas tenho medo do que ocorre lá dentro, quando estou dormindo. Mesmo assim, é quando minha cabeça dá uma trégua. Ou pelo menos assim eu penso. Pelo menos não sei o que está acontecendo quando vou para lá. Sei que o que eu vivo aqui está difícil. Eu gosto de perder tempo fazendo nada. Pensando na vida. Me torturando sob supervisão da minha mente maquiavélica.  Não que eu escolha ser assim. Não. Não tenho opinião dentro de mim mesma. Para mim, ler não é perder tempo. Assistir seriado não é perder tempo. Para mim, toda hora é tempo. O tempo pode ser uma tortura. A lei da relatividade. Se você está do lado de fora, querendo entrar, o tempo passa muito devagar. Acho que é assim que vivo. No país fantástico da relatividade. Não gosto muito do passado. Do…

Tinha uma pedra no meu caminho

No meio do meu caminho tinha uma pedra. E o que fiz? Topei, claro. Todo mundo topa nas pedras no caminho. Até por que normalmente não olhamos direito por onde estamos indo. A maioria das pessoas (eu, principalmente) vai andando na direção que o vento leva. E até que não tem nada de errado nisso, não me entendam mal. Só que, quando fazemos isso, não vemos as pedras que estão no caminho. Às vezes pensamos que estamos no caminho certo, mas essa estrada é mais esburacada que as BR's do Brasil. O que fazer, meu Deus, para evitar cair em cada volta? Eu sempre pensei que "o babado", era olhar para trás e ir andando devagar, para não cair. Mas, hoje, aprendi que não importa muito o que você já andou. Importa o que ainda falta para você chegar no seu destino.  E o destino é o importante aqui: se você tiver um destino bem estabelecido e concreto, está mais do que ok você pegar desvios. Mesmo que você pegue um atalho, sabe que tem um lugar para chegar. E é isso que vai te dar forças par…

Paranoia

Minha terapeuta disse, ontem, que eu não deveria criar tantas expectativas do mundo. O mundo é sujo, eu disse. As expectativas que crio são o que o deixam menos preto no branco, menos cinza. Mas agora, depois de ruminar sobre o assunto, talvez eu ache que ela tem razão. Criar. É o que faz o mundo ter cores para mim. É um processo complicado. É um parto. Cada linha que escrevo é mais uma contração. Eu sofro = eu crio. Acho que foi o Lobão que disse uma vez que só escrevia quando estava triste, por que é da tristeza que saem as melhores reflexões. Para mim, tudo que vejo pode ser transformado em texto. Isso me deixa um pouco paranoica. Não vivo muito tempo no "mundo real", meus pés estão sempre um pouco mais altos que a cabeça de todo mundo. Eu vivo pensando em escrever. Eu vivo para criar. E tudo que eu vejo tem frases. Agora para o que importa: quando eu te vi, eu escrevi o texto inteiro de nossas vidas na minha cabeça.

Meu retrato, e não o de Dorian Gray

Eu estou lendo Oscar Wilde. Mais especificamente O retrato de Dorian Gray. Ainda não terminei. Estou na metade, na verdade. Mas já me deu muita coisa para pensar. Como seria se eu pudesse me observar como Dorian se observa, de fora. Como se não estivesse acontecendo com ele. Como seria minha reação de fronte a um espelho que me retrataria da forma mais humana e pecadora possível. Deu foi um nó na minha cabeça.  Deixa eu explicar: Na história, Basil (artista, pintor, amigo e adorador de Dorian) pinta um quadro de Dorian, que, mais tarde, fascinado pelas reflexões de um certo Lord Henry, nada supérfluas, vê que a sua beleza e juventude é apenas passageiro. Ele se assusta e praga o quadro, por ter marcado uma fase tão linda de sua vida, quando ele, Dorian, iria desgastar-se. Mas o que acontece é justamente o contrário. Enquanto o personagem comete pecados e é acometido pelo tempo, quem muda é o quadro. Ele, Dorian, fica intacto.  Não quereria eu ficar intacta. Já imaginou que chatice passar pe…

Ser mulher

Desde os princípios da humanidade, e, mesmo depois de todo esse tempo, as mulheres foram incompreendidas. Tiveram seus direitos... que direitos? Tendo que lutar por coisas que eram para ser naturais, tendo que gritar para ser ouvida, a mulher já alcançou muitas conquistas. Mas, mesmo assim, ainda há muito o que caminhar. Muito mais conquistas para serem alcançadas. Houveram dias que tive medo de ser mulher. Tive medo do que isso representava para a sociedade. Tive vergonha de mim mesma. De ser mulher. De ter um corpo de mulher. Vergonha e medo de ser quem sou. De amar quem amo, de fazer o que faço. Mas as mulheres em minha vida, a quem sou muito grata, me fizeram perceber que a vergonha não devia ser minha, mas da sociedade. A sociedade preconceituosa que excluí, a sociedade machista que oprime. Que bate, que abusa, que acha que pode ser mais só por ser a maioria (de homens). Por essas mulheres guerreiras que me inspiram só tenho a agradecer. Elas me ensinaram que eu valho mais do que a soc…

Que descuido meu

"Que descuido meu, pisar nos teus espinhos", é assim que começa a música. Pensei durante muito tempo escutando essa mesma música várias e várias vezes. Que descuido meu, deixar-te controlar minha cabeça. Deixar-te dizer o que quiseres de mim e, ainda por cima, escutar-te.  Que descuido meu, me machucar com tuas palavras. Que descuido grande! Deixar que me influenciasse. Que me importasse mais contigo do que comigo. Com o que irias pensar, achar, julgar, apontar... Que descuido meu achar que não sou o suficiente. Eu sou sim. Sou o que sou. Talvez não o que queria ser, mas o que sou. A gente nem sempre quer o que precisa, mas acha que precisa o que quer. Que descuido meu chorar por ti. Achando que isso ia mudar alguma coisa. Que me mudar era a resposta. Que descuido meu me punir pelo que tu fizeste. Pelo que tu achas que és para mim. Pelo que eu acho que tu és para mim. Eu me puni, não foi? Acreditei em ti. Em cada palavra ruim que me disseste. Em cada imagem de mim que me mostrast…