Desabafo

E, assim, de repente, eu estou sentindo coisas. Coisas das quais eu gosto. E muitas outras que eu nem sei qualificar. Medo, talvez? Ansiedade, certeza. Frio na barriga, não é dor não. É… Medo sim! Apreensão. Dúvida. Medo, de novo.
Sabe… Fazia tempo que não escrevia assim, as palavras fluindo de mim como se nem minhas fossem. Gosto dessa sensação. Escrever sobre meus sentimentos mais indecifráveis  Por que dói, sabia? Dói profundamente. É, por que, é só escrevendo que me dou conta do que estou realmente sentindo. E eu sofro pela confusão que existe dentro de mim.
Cheguei a conclusão que sou um caos. Não sei o que fazer comigo mesma. Não sei o que quero, o que não quero. O que sou, de onde vim, para onde vou. Quem sou? Como posso simplesmente definir isso para outros quando nem eu mesma sei?
Sei que não consigo. Não consigo ser normal. Não consigo não levar as pessoas à sério. Não consigo não me apegar a bobagens. Não consigo não sentir ansiedade. Não consigo escutar uma música de Vinicius de Moraes sem sentir um aperto no peito. Não consigo sentir o seu cheiro e não arriçar cada pelo de minha nuca.
“Ter medo de amar não faz ninguém feliz”, canta ele em meus ouvidos no meio da madrugada. Que a felicidade não habita meu ser há um bom tempo, isso pode ser verdade, mas o que o medo de amar tem haver com isso? eu lhe pergunto Vinicius!
Quem disse que amar é bom? Amar traz  para mim o prazer da dor. Eu o vejo, o uso, o deixo fora da geladeira, estragando, e, quando chego perto novamente, já está podre. Minha mãe sempre diz que eu sou desleixada. Bem, sou mesmo.
O amor, até agora, só me pegou desprevenida. É como se eu gritasse por ele e ele me ignorasse. Como eu não fosse digna de sua atenção. OK, talvez não fosse mesmo. Mas e quanto a isonomia? O amor não é moeda, não deveriam existir pessoas ricas e pessoas pobres de amor.
Parece que algumas pessoas ganharam na loteria do amor. E eu não acertei nenhum ponto. Mas eu não sou uma garota de apostas. Não gosto de perder. Eu, normalmente, paro de tentar. É mais fácil.
Não sei jogar os jogos do amor. Fico confusa logo com as regras, enquanto ele sabe exatamente que passo dar para chegar no final. O final que ele espera, não o meu. Eu não queria estar jogando. Comigo é assim: curto, objetivo, sem metáforas (apesar desse texto estar cheio delas).
Estou sempre competindo comigo mesma. Existem múltiplas eu dentro de mim. Existe meu corpo, minha razão, meu espirito e meus sentimentos. Sou toda fragmentada. Me conhecer é como uma busca ao tesouro. Tem que decifrar o mapa e juntar cada pedaço. Porém, não é todo mundo que tem disponibilidade ou interesse em me achar. O prêmio nem é tão grandioso assim. No final, só o que você pode ter é um caos: eu.
Será que você está disposto a me procurar? Eu bem que tentei desenhar as instruções de uso. Mas não sei se torna as coisas mais fáceis ou mais difíceis.

De todo o nada que eu sei, por enquanto, tudo que eu quero, é que você fique para tomar um café.

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