After all this time

A dor é algo que não podemos controlar.
Ela vem devagarinho, ou de repente. Tanto faz. Toda dor dói a mesma quantidade: a maior do mundo. Não conseguimos entender que existem dores "maiores", a pior coisa do mundo é quando a dor é da gente. Mas, independente de que dor esteja sentindo, você sempre vai achar que não poderia ser pior.
E a dor de amor?
Acontece que o amor é um jogo. Tem reis e rainhas, cavalos e seus cavaleiros. Tem a quantidade certa de obstáculos, e algumas paradas que parecem infinitas. "Uma jogada sem rodar o dado". É assim que me sinto. Como se estivesse estancada na casa inicial.
Eu tenho ciúmes.
Tenho ciúmes dos que me são queridos. Dos que são e sabem, dos que são e nem sabem, dos que nem são ainda. Gosto de estar junto, de abraço e beijo (por isso a distância nunca me fez bem).
Mas a vida não é feita de carinho. Cada um nasce sozinho, nu, e levando tapas no bumbum. Chorando, na maioria das vezes. A vida nos faz chorar, e sucumbimos como fantoches.
Mas não hoje.
Hoje eu tenho planos. Hoje eu quero ler um livro antes de me deitar e sonhar com minha própria história. Hoje vou dormir tranquilamente e sem acordar até o próximo amanhecer.
A gente é próximo demais. O suficiente, eu diria. Mais do que isso, você diria. Mas eu não vou ceder. Eu gosto de você mais do que gosto de mim.
Até por que, até pouco tempo, eu não gostava tanto assim de mim.
Mas você olhou para mim e disse que tinha certeza. Tinha certeza de meu potencial, de minha força de vontade. Fez tudo por mim. E mais um pouco.
Se ainda dói? Sim. E nem vai passar.
Mas eu sinto a dor e olho para o lado e você está lá.

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