A verdade sobre o meu querer.

E a verdade? Ah, a verdade. Nos espreita como se estivéssemos prestes a cometer o crime de nossas vidas. Só esperando para nos pegar de jeito. Como percebê-la? Não precisa, ela está aí, na sua vida, vigiando cada minuto, cada segundo. De novo: só esperando.
Não há nada de maduro na verdade. Ela nos pega quando estamos embaixo e ainda ri da nossa cara, na nossa cara, e ainda faz todo mundo rir junto.  Uma vez exposta, não há volta. Todos sabem, não há o que você possa fazer para curar.
Ela nos pega dormindo e desenha em nossas testas com marcadores fluorescentes, tudo aquilo que estamos morrendo há tanto tempo para esconder.
Em mim, ela faz com que eu perca os sentidos, com que me sinta peixe fora d'água, com que meu estômago revire e vire de ponta cabeça, dando cambalhotas. Talvez os meus átomos estejam fazendo uma competição de surf nas ondas de meus sentimentos. E eles espirram suas gotículas por toda parte, me deixando assim, meio sem jeito.
Como explicar a você? Como dizer a verdade?
Você me faz perguntas que não consigo responder. Eu quero? Eu não sei... Será que não sei? Ok, talvez. Mas e por que estou tão nervosa se não quero? Por que tanta preocupação de não deixar a verdade sair?
Sim. Eu quero. Quero muito.
Como fui tão boba? Como não percebi? Eu quero. Sim, te quero. Mas não quero que você saiba. Não, não pode saber.
Confuso não é? A verdade é assim mesmo, um ninho de cobra. Um fone de ouvido guardado há muito tempo numa gaveta cheia de fios os mais variados.
Mesmo que eu tente esconder, meu corpo grita. Por você.
O que você fez com o amor frio e calculista que aprendi a ter? O que você fez com minhas convicções e minhas realizações de amor perfeito? Quem você acha que é, para vir assim, quebrando com os meus próprios limites? O que você fez com minha vergonha, meu machismo? Minhas ideias do século 19? O que você acha que está fazendo, tirando de mim meu orgulho?
Tudo que sei é que, perto de você, sou outra pessoa. Não sei me controlar, não sei o que fazer com as mãos, os pés, os cabelos. Tudo parece assim, sem lugar.
A verdade não está tão assim escondida que seja preciso um Cal Lightman para descobrir. Eu quero. Deu para perceber? Eu te quero.
Eu quero não te querer. Mas quero que me queiras. Dá para entender?

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