Crescer e delírios da madrugada.

Sabe o que é mais revoltante na vida?
A vida é cheia de antíteses, paradoxos e estranhos hiatos. Mas o que nos ensinam os adultos, o que nos dizem que é o certo, é que devemos construir algo, ser alguém. Que devemos ter metas, saber o que queremos e ir atrás de nossos sonhos. Que devemos ser bem sucedidos e totalmente independentes dos pais. Que devemos ver a família como porto seguro. Que devemos ter muitos amigos. Que isso é bom e aquilo é ruim. Que isso é certo e que aquilo lá é muito feio. Somos criados dentro de paredes de tabus. Crescemos em moldes sociais ridículos.
Excluem-nos do mundo, dizendo que é “coisa de adulto”. E quando finalmente somos adultos, é quando finalmente querem que falemos, que tenhamos opinião, que objetemos, que nos revoltemos, que questionemos, que sejamos revolucionários, que mudemos o mundo.
Mas o mundo já está muito bem formado. O mundo já sabe o que quer. O mundo sabe para onde vai, mesmo que seja o fim. O mundo é bem informado.
Nós somos apenas nós. Nós ainda vivemos no mundo de fadas. Querendo ou não. Admitindo ou não. Vivemos presos no passado ou construindo um futuro. De que serve o presente então? Eu sempre pensei que o presente fosse uma coisa insubstituível, fosse uma coisa tão mágica que ninguém pudesse querer algo diferente. Mas não. Aparentemente o presente é apenas uma ponte. Uma longa ponte, entre o que sentimos saudades e o que queremos. O problema é que não podemos voltar, mesmo que tenhamos deixado toda uma bagunça para trás. E também temos que andar com cuidado, para não quebrar nada antes de chegar ao fim. Mas nunca vai ter um fim, vai?
Talvez eu não vá atrás de metas por que minha única meta é ter uma meta.
Escutei uma vez que devia escrever uma lista dos meus sonhos, para não pô-los na gaveta e esquecê-los. Para lutar. Para ir atrás.
Eu tentei colocar tudo no papel. A questão é que eu não tinha o que escrever. E desde então tenho passado o tempo buscando essa meta. Mas o papel continua vazio. Por que não tenho sonhos? Claro que tenho sonhos. Tenho-os de monte.
Apenas não consigo acreditar neles.
Parecem tão distantes e inalcançáveis. Parecem mais sonhos do que metas mesmo. Estou apenas esperando o momento de acordar. Sempre tentei viajar com os pés no chão. Por que se deixo, nem que seja por um segundo, de pensar no real, a cabeça vai longe, tão longe. Enche, transborda de coisas, idéias, futuros, histórias, possibilidades, tudo que se pode imaginar. Mas então, quando toco o chão, elas fogem todas, como se abrisse a caixa de pandora. Ao mesmo tempo sonhos e medos. Tão infinitamente perigosos, deliciosos e assustadores. Então, é melhor não deixá-los sair de jeito nenhum. É melhor não escrevê-los em lugar nenhum e não falá-los para ninguém. Talvez assim não fujam. Talvez não virem realidade, mas não fugir já parece o bastante agora.
Crescer pode parecer duro, complicado, estressante. Mas se crescer é tudo isso que dizem, então não crescemos nunca. Por que sempre teremos mais e mais metas, sempre vamos ser dependente do carinho de alguém, sempre vamos sentir saudade de nossos pais, sempre vamos ter nostalgia pela infância e sempre vamos pensar sobre o futuro. Talvez, crescer não exista.
Para mim crescer é apenas um sinônimo de “possibilidades”. E isso é o que torna crescer tão mágico.

(PS: Ok, AGORA eu vou mesmo dormir! E passar outra semana sem postar e comentar nos blogs de vocês, desculpa ai, por sinal, rs.)
Beijos.

Comentários

S. disse…
Se eu disser que isso passa, vc acredita em mim?
Beijinhos e mais beijinhos
Belos e Malvados disse…
Se eu disser que isso passa, vc acredita em mim também? Relaxe e vamos nos preparar para a próxima temporada de Glee. Um beijo

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