Que descuido meu

"Que descuido meu, pisar nos teus espinhos", é assim que começa a música. Pensei durante muito tempo escutando essa mesma música várias e várias vezes.
Que descuido meu, deixar-te controlar minha cabeça. Deixar-te dizer o que quiseres de mim e, ainda por cima, escutar-te. 
Que descuido meu, me machucar com tuas palavras. Que descuido grande! Deixar que me influenciasse. Que me importasse mais contigo do que comigo. Com o que irias pensar, achar, julgar, apontar...
Que descuido meu achar que não sou o suficiente. Eu sou sim. Sou o que sou. Talvez não o que queria ser, mas o que sou. A gente nem sempre quer o que precisa, mas acha que precisa o que quer.
Que descuido meu chorar por ti. Achando que isso ia mudar alguma coisa. Que me mudar era a resposta.
Que descuido meu me punir pelo que tu fizeste. Pelo que tu achas que és para mim. Pelo que eu acho que tu és para mim. Eu me puni, não foi? Acreditei em ti. Em cada palavra ruim que me disseste. Em cada imagem de mim que me mostraste.
Mas mesmo imagens mentem. São manipuláveis. São editáveis e todos os "áveis". Imagens que você criou e eu vi. Eu vi e achei que era verdade. Acreditei mesmo. Não questionei. Onde está meu senso crítico? Onde está meu eu?
"Quem é você?"
Quem você PENSA que é?
Que descuido meu achar que você podia dar as regras do jogo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Ablepsifobia

Sophie Kinsella

Ser mulher