Um dia tive um sonho

Era um sonho lindo: Eu tinha um barco e viajava até você; eu perguntava: - o que há? E você me dizia a verdade.
Mas com a vida não é assim. Para começar, a gente não pode velejar livremente. Não, as águas são perigosas. Existem os furacões e os icebergs. Não é seguro. E o nosso barco, pequeno demais nesse mar de inseguranças.
Depois, tem a verdade; a verdade nem sempre é o que a gente quer que seja. Queremos que a verdade seja bela, que tome-nos nos braços e diga - aqui você está segura, mas, na verdade, a verdade é como o mar, olha os furacões e icebergs aí de novo.
Eu bem que tentei, mas não dá simplesmente para resignificar as coisas (sim,eu faço terapia). Não dá para esquecer o que, na verdade, é a verdade. Os sentimentos que nos sufocam como travesseiros sobre nossos rostos. Esses, escondidos, andando de fininho pelo quarto escuro, nos observando, esses a gente não consegue resignificar assim tão fácil não.
Até que dá para se ignorar um tempinho (bem "inho" mesmo). Dá um alívio, como tomar um banho quente no final do dia de trabalho. Mas logo bate o cansaço e a gente se lembra de quem realmente é. O que realmente é, na verdade, nossas verdades (é redundante assim mesmo).
Presta atenção, eu estou tentando te falar. Será que alguém poderia ajudar aqui? Como explicar o que é esse mar de sentimentos que eu velejo até você?
Os oceanos são profundos. Neles vivem diversos monstros. Lulas gigantes. Todo mundo joga seus lixos no rio. Eles, eventualmente, acabam desaguando no mar. E como é ter que nadar no lixo de todo mundo? Nas decepções que cada um carrega, nas dores alheias. Não é fácil. Tente resignificar o mundo todo de traumas para ver o que é bom!
Mas no sonho, lá era fácil te alcançar. Viver como se fosse morrer amanhã. Sem julgar o que a gente carrega no coração. Como estar pronto para essa vida?

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